domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tal como as donas de casa e seus electrodomésticos...


É com algum interesse que gosto de responder em blogs e fóruns (quando está ao meu alcance poder dar a minha opinião), e também de perguntar sobre, por exemplo, a compra de um novo electrodoméstico lá para casa.

Ainda sem certezas da compra que tenciona fazer, a pessoa tenta recolher toda a informação possível, para que o seu investimento seja maximamente rentabilizado e tudo menos precipitado.

Mas cada vez mais, considero curiosas a maior parte das respostas de possível ajuda.

Quando há demasiadas respostas uníssonas, eu desconfio. Desconfio da veracidade da plena satisfação de tanta gente. Da total fiabilidade da coisa. Da melhor escolha que foi terem feito aquela compra. Sem uma única vez falarem dos senãos. Pronto, desconfio!

As donas de casa são lixadas! Muitas vão até às últimas consequências para justificar cada cêntimo que deram pela sua nova coqueluche.

De certo que haverá casos de sincera satisfação. Mas quase sempre, acho que muitas das respostas, tão francamente positivas, traduzem algum exagero e raramente ajudam grande coisa.

Porque tudo começa para uma dona de casa da seguinte maneira...

Na fase de aquisição do seu "objecto de desejo", esta atravessa o período de enamoramento, cuja duração é variável consoante a pessoa em causa.

Cheia de expectativas, avança, experimenta, na tentativa de conhecer o "outro". Querendo a todo o custo que a relação dê certo.

Nesta fase tem o coração cheio de esperanças.

Óbvio que o factor investimento pesa enormemente no seu envolvimento emocional.

Espera ser "retribuída", "amada". Dar a conhecer ao mundo este novo amor. Quer que a relação resulte. Batalha até ao fim. Dá tudo por tudo!

Mas nem sempre a relação é aquilo que prometia vir a ser.

E é com dificuldade, quando isto acontece, que assume que o "outro" afinal tem defeitos incontornáveis. E mais difícil ainda, é assumir uma possível derrota, uma desilusão, o fracasso da relação.

O seu esforço financeiro e, consequente, investimento monetário, é, quase sempre, proporcionalmente inverso ao seu descernimento, ao seu sentido crítico, à sua avaliação objectiva.

E quantas vezes não perde o sentido de realidade.

Por isso, dificilmente encontramos uma dona de casa que nos diga, em última instância, que não fez um tão bom investimento assim, quando comprou o artigo x ou y.

Porquê?

Porque invariavelmente as pessoas não assumem os enganos, as más opções. E com isto já não estou a falar de donas de casa e o electrodoméstico pode ser substituído por qualquer outro bem ou escolha que se faça.

Como se assumir erros fosse motivo de fracasso pessoal. Como se estivessem impedidas disso, porque não se permitem a si próprias enganarem-se. Porque um beliscão desses, daria origem a uma valente nódoa-negra no seu orgulho. Como se isso as colocasse a "nú" perante os outros.

E é interessante chegar a estas constatações naquelas pequenas coisas, como as relações entre muitas donas de casas e os seus electrodomésticos. Relações que à partida não teriam substância para análises existenciais sobre a natureza humana em geral.

6 comentários:

  1. Li tudo e concordo em partes. No geral, a gente fala aquilo que sente quando compra eletrodoméstico na esperança de que ele seja tudo aquilo que falam dele; porém, sabemos que a propaganda é enganosa. Ele faz, mas não faaaaaaaaaaaaaz tudo. Sempre fica uma coisinha a desejar. É a vida.
    Saúde e sucesso.
    Iray

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  2. Olá Luarte,

    É um bocadinho complexo, o tema; mas na verdade já me questionei sobre o mesmo.
    Eu pessoalmente adio ao máximo a compra de um electrodoméstico, a nao ser que o mesmo me seja absolutamente indispensavel - por exemplo, um ferro de engomar.

    Quanto aos outros, mais dispendiosos e que pertencem ao grupo dos "nice to have", dispensaveis, vou lendo opinioes e formando a minha.

    Há dois "auxiliares de cozinha" sobre os quais todas as possuídoras ultimamente dizem maravilhas, e na verdade estranhei ninguém referir alguns pontos menos positivos (que eu sei existirem).

    Pois podia escrever muito mais sobre o assunto... é um tema um bocadinho melindroso, nao é? Fico por aqui :)


    Beijinhos

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  3. Olá luarte!

    Fiquei um bocado confusa com o teu post...sigo o blog mas normalmente não deixo bilhetinhos debaixo da porta...
    Olha, eu não tenho problema em assumir o erro de comprar um electrodomestico ou outra coisa qualquer! Afinal errar é humano e depois sempre temos o "custo justo" e o "olx" para podermos vender o que não nos faz falta... Olha, estou bastante arrependida por ter comprado um aspirador de saco, por ter gasto tanto dinheiro num trem de cozinha, tantos tachos e alguns ainda por estrear, estou arrependida por ter comprado uma varinha mágica tão cara... mas pronto... isso é porque "pertenço" ao grupo que diz maravilhas de um electrodoméstico...presumo que estivesses a falar na bimby...ela é realmente maravilhosa!! :) Não sou vendedora e não pretendo enganar ninguém! Não ganho comissão por dizer o k penso!! :)

    Beijinhos e continua com o blog fantástico que tens! :)

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  4. Elsa: Este post não serve para particularizar nenhum electrodoméstico em especial. Há tantos, que estaria a restringir imenso se me dirigisse exclusivamente à bimby.
    Além disso, ele começa com electrodomésticos, mas vai mais longe. Um devaneio meu num final de domingo... :)
    Obrigada por teres deixado um bilhetinho teu.

    Beijinhos para todas.

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  5. Nunca tinha refletido sobre tal coisa, mas a verdade é que concordo contigo! Revelar o senão da máquina (atrever-me-ia a alargar para a compra de qq coisa...), é quase como que admitir uma falhamos :P

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  6. Faz tempo que penso em passar por aqui e agradecer voce, recebo muitas visitas vindas do seu blog. Obrigada!
    um abraço

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Obrigada pela visita e pelo vosso comentário :)