quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O diploma

Há presentes que não são fáceis de escolher. Aliás, são até muito difíceis. Por vezes uma autêntica dor de cabeça.

É difícil quando queremos mesmo oferecer algo que a outra pessoa goste, que faça sentido ou que lhe seja útil.

O problema não está no presente em si, mas na pessoa que o vai receber.

O que é que lhe vamos dar? Pergunta que nos assola vezes sem conta. E as ideias parecem fugir...

Ou é porque tem tudo, ou é porque não lhe faz falta, e será mais um mono lá para casa, ou é porque é mais do mesmo, ou é porque... ou é porque...

E quando, na tentativa de nos facilitarmos a vida, lhe perguntamos directamente o que gostaria de receber, e a pessoa nos responde que não quer nada, nem precisa de nada... aí ficamos com a plena certeza que estamos enrascados. E agora vamos lá tratar de descalçar a bota, mas sem presente a pessoa não fica.

A avó Nina é uma dessas pessoas. Do alto dos seus 80 e poucos anos, ela é uma autêntica fonte de inspiração. Carrega em si o peso da idade, das fadigas de um corpo que cede aos muitos anos que tem, das memórias que compõem a maior parte do puzzle da sua vida. Memórias límpidas. Mas também carrega a sabedoria do mundo, do seu mundo que ela sabe gerir como ninguém.

A sua lucidez, bom senso, inteligência, autonomia, perspicácia, força e generosidade comovem-me até às lágrimas.

Eu jamais serei uma mulher como esta minha avó emprestada.

No ano passado, e de forma espontânea, surgiu a ideia do seu presente.

Um presente em género de agradecimento daquilo que ela sabe fazer tão bem. Cozinhar. Ela faz questão de cozinhar todos os domingos para nós. Com uma dedicação e amor sem igual. Para a avó Nina, o domingo é o dia mais importante. Vive a semana em função do dia em que recebe toda a família em casa.

E foi assim que surgiu a ideia do diploma.

Fizemo-lo de raiz e ainda arranjámos uma caricatura super engraçada da avó Nina para o embelezar. Mesmo igualzinha à original! :)

Depois imprimimos em papel a imitar o antigo, emoldurámos e embrulhámos o diploma. À meia-noite do dia 25 de Dezembro fizemos a distribuição de todos os presentes. Excepto o da avó Nina.


O dela foi o último a ser entregue, depois de todos terem desembrulhado os seus.

Quando ela achava que não havia mesmo nada para si (como se fosse pessoa de se importar com isso), entregámos-lhe o pacote para as mãos...



O que ela se riu quando o desembrulhou. E o que nós nos rimos com ela.

Não parava de rir. Chorou a rir. A felicidade, a alegria e a surpresa estavam-lhe estampadas no rosto macio e enrugado.

Estávamos todos tão felizes com ela.



E é com imenso orgulho que ela ainda hoje mostra o seu diploma a todos aqueles que visitam a sua casa.

Uma ideia tão simples e que resultou num presente tão perfeito.

Precisava de uma ideia tão brilhante quanto esta para este ano.

Mas infelizmente, continuo às voltas, e voltas com o presente da avó Nina :P

5 comentários:

  1. Que bonito presente! Tenho a certeza de que ela adorou mesmo!
    Não se percebe pela cara como é óbvio, mas a expressão corporal diz tudo!
    Beijinho

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  2. às vezes as coisasmais simples são aquelas que fazem mais sucesso :)
    Foi de facto uma boa escolha :)

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  3. Estou com o mesmo problema.Não faço ideia do que dar aos meus avós.Nos seus 80 anos vivem para o campo.No ano passado ofereci um album com fotos da minha filha,feito por mim.Este ano,é um dilema.

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  4. Que bonito, Luarte!

    Claro que eu nao conheco essa avó tao querida, mas na melhor das boas intencoes, uma ideia pateta: que tal algo a lembrar um "cheque oferta" para a levar um dia a passear a algum sítio que lhe seja querido, talvez incluindo um almoco em família, ou algo do género? Esta outra ideia já impoe um pouco mais de exposicao, mas assistir ao vivo a um programa de TV que ela costume ver, sei lá...Um dia só para ela?
    (eu avisei que a ideia era pateta)

    :) Bom fim de semana!

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