terça-feira, 28 de agosto de 2018

Do amor pelo filho que chega...


Um dos muitos medos, de quem alguma vez pensou na adoção como opção, é inevitavelmente este: "e se eu não conseguir amar assim tanto a criança que me for destinada?". 

É um medo legítimo como qualquer outro. Afinal o que é o medo senão o receio pelo desconhecido? 

O que a vida me tem ensinado, é que o amor é o sentimento mais poderoso, mas também o mais difícil de todos. O verdadeiro amor é o que nasce da ausência de expetativa. Quando deixamos de esperar a troca, a correspondência é aí que o amor acontece de verdade. Tudo o resto são ensaios.  É o enamoramento,  o encantamento ou a paixão. Emoções voláteis que se alimentam da expetativa, como quem se alimenta de uma bomba de oxigénio para sobreviver. Quando a expetativa não é correspondida, vem o desapontamento, a desilusão, a angústia de quem sente que não era isto o que esperava. Mas o amor, esse não depende das circunstâncias, dos "ses" que tantas vezes lançamos como pedras no caminho e que só nos fazem tropeçar nos muros das nossas próprias ilusões. 

Amar é simplesmente aceitar. Assim como a vida não é o que idealizamos, um filho não é exceção. 

O verdadeiro amor por um filho não depende dos laços de sangue, da idade, do sexo, de ter esta ou aquela personalidade, de se comportar desta ou daquela maneira, de ter este ou aquele problema de saúde, aquela limitação, etc. Se antes do meu filho chegar eu imaginava todas as crianças do mundo como podendo uma delas ser minha, hoje eu não imagino que o meu filho possa ser outro que não aquele que tenho. Ter outra cor de cabelo que não aqueles fios negros da cor do carvão, outros olhos que não aqueles olhos grandes, cor de mel que me comovem e fazem estremecer quando olham bem fundo para dentro dos meus, outro tom de pele que não aquele caramelo que eu tanto lhe gabo. Não imagino que possa ter outro feitio que tanto me leva ao paraíso como me leva a suster a respiração 1001 vezes por dia e a bradar aos céus muita paciência. Porque simplesmente eu já não me imagino sem ele, mesmo naqueles momentos em que me tira do sério. Acredito mesmo que o amor é mesmo isto, mágico na forma como nos toca e nos faz sentir tudo de uma ponta à outra. Mesmo naqueles dias onde não há ponta por onde se lhe pegue.

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