quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Animais de estimação e carpetes

Feitas que estão as apresentações da minha Cereja, que é a coisinha mais boa desta vida (ai o que eu já adoro esta cadela), passemos a questões práticas, mais racionais e calculistas: o pêlo dos animais em casa.

Com animais em casa a rotina de limpeza altera-se completamente. Já não dá para pegar na casa uma vez por semana como eu fazia. Sobretudo tem de haver uma manutenção de limpeza do chão com maior frequência. 

Felizmente o chão da minha casa é um chão matizado claro ainda que na cozinha seja escuro, também é muito matizado com branco o que ajuda a que o pêlo fique bastante despercebido. O problema que agora tenho por resolver é a questão da carpete da sala. Em casa só tenho 2 carpetes e um tapete. Acabei com tudo o resto por uma questão de limpeza e higiene, muito antes de pensar ter animais. 

Mesmo sem animais, a carpete da sala (podem vê-la aqui) é uma carpete que se sujava muito facilmente por ser de um castanho muito escuro. Qualquer coisinha clara que lhe caia em cima, fica ali a reluzir como se de um diamente se tratasse. Agora imaginem com uma Cereja de pêlo branco. É a desgraça total. 

Tenho feito por escovar a Cereja quase dia sim, dia não, para minimizar a queda do pêlo.

Mas está-me a incomodar bastante esta questão e preciso de arranjar uma solução/estratégia para tratar o tapete da sala.

Cá em casa tenho um aspirador rainbow, bastante eficaz para a limpeza de tapetes e carpetes porque aspira tudo em profundidade, mas no dia a dia não é um aspirador minimamente prático. Como tem depósito de água acaba por ser uma trabalheira montar o aspirador e limpar o depósito de todas as vezes que aspiro. E agora passaram a ser muitas. Além disso é super pesado. Para limpezas semanais mais profundas é ótimo, agora como aspirador de manutenção, não serve as necessidades cá de casa.

(imagem retirada da internet)

De qualquer forma continuo com o problema da carpete. Já pensei em desfazer-me dela e comprar outra com uma cor média ou multicolor para que os pêlos fiquem mais camuflados. Faz-me falta uma carpete entre o sofá e a televisão. 


Gosto destes tapetes de tecelagem manual, mas renho receio que a comprar um deste tipo seja demasiado leve e se enrodilhe no chão. 

O P. não concorda muito com a compra de outro tapete para troca do que já temos, porque está-se a gastar dinheiro noutra carpete quando a intenção é camuflar pêlos? Ele é da opinião que a nossa sendo escura dá logo alarme quando o chão precisa de ser limpo. Este argumento não me convence de todo, porque então não faria outra coisa senão aspirar o raio da carpete ao longo do dia.

Já pensámos também na solução do Roomba, um aspirador robot, que deixaríamos a funcionar quando não estamos em casa ou para fazer a manutenção. Tenho sérias dúvidas que faça um bom serviço, mas é uma hipótese a considerar.

 (imagem retirada da internet)

Vocês que têm animais em casa, com problemas semelhantes aos meus, quais foram as soluções que encontraram e que melhor responderam às vossas necessidades?

Muito obrigada pela vossa precisosa ajuda.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Cereja

Vamos lá a uma adivinha...

O que é que tem nome de fruta, mas tem patinhas e gosta de dar muitos lambijinhos?

Quem é que adivinha esta? 

Pensem lá!

Está difícil?

Não chegam lá?

Ok, eu ajudo e ofereço a resposta.

A Cereja. A minha cadelinha. A minha canita. A minha nova companheira :)


Em tempos já tinha manifestado na página do blog, no Facebook, esta minha vontade de ter um cão  e cheguei a pedir referências de Associações que cuidassem dos animais com carinho e lhes oferecessem condições condignas de higiene e tratamento.

Há algum tempo que eu e o P. tinhamos o projeto de adotar um animal. Criar uma relação emocionalmente estimulante com um companheiro de 4 patinhas. Não tenho dúvidas que os animais nos ensinam imenso e nos tornam pessoas melhores em todos os aspetos. Por diversas razões tinhamos uma predileção por cães. Animais super inteligentes e muito fiéis ao seu dono. 

Essa vontade foi ganhando corpo e força ao longo do tempo e sobretudo ao longo deste ano. Obviamente que existiam imensas dúvidas e receios.

Ter cão dentro de casa, num apartamento é totalmente diferente de ter um cão num quintal. Além disso, é ter agora a preocupação de levar o cão à rua. Ter cuidados redobrados com a limpeza da casa. Ter que arranjar mais tempo para dedicar ao animal, brincar com ele, ensiná-lo, mimá-lo, educá-lo. É ter de assumir toda uma nova dinâmica familiar. É ter vizinhos em cima e em baixo e dos lados que temos acima de tudo que respeitar em qualquer altura, e mais ainda quando se tem um cão. É aumentarmos a família e assumirmos as responsabilidades dessa decisão. Porque querer um animal não pode ser o reflexo de uma vontade que vai e vem. Não pode ser um capricho porque é muito giro e querido e tudi e tudi no início, mas depois dá muito trabalho, despesas e queremos ir de férias... e nós não estamos para isso... e agora vamos despachá-lo, descartá-lo como se fosse um objeto, uma coisa. Este é um compromisso para o resto da vida que deve ser encarado com grande seriedade. Todos os animais merecem ser respeitados, acarinhados e bem tratados em qualquer altura, em qualquer idade, em qualquer fase da sua vida. 

Todas estas questões foram sendo faladas e discutidas cá em casa ao longo do tempo e foi amadurecendo em nós, sem precipitações, este projeto muito sério, esta ideia de ter cão.

Sempre esteve fora de questão comprar um cão, quando há tantos animais abandonados a precisarem de ser adotados. Até porque normalmente os animais de rua, os animais que estão em abrigos/canis já passaram por muito e tudo o que eles precisam é de um lar para serem felizes. Então porque não adotar? Porque não valorizar a vida de um animal, mudar-lhe o destino, transformar a carência em carinho e amor, a rejeição e o abandono em companhia, alegria e aceitação?

A poder escolher um cão procurávamos um de porte pequeno, meigo e jovem adulto. Não nos interessava que tivesse a raça x ou y. Podia ser um rafeirola qualquer. 

Ao contrário da maior parte das pessoas que procura cachorrinhos, porque são mais fofinhos, mais pequeninos, nós não faziamos de todo questão que fosse cachorro, embora tivessemos recebido conselhos de várias pessoas que um cachorro seria muito melhor, porque era mais fácil criarmos laços com o animal e o animal connosco. Com maior facilidade ensinavamos um cachorro e evitavam-se chatices de animais com traumas e maus hábitos, etc... Sempre achei estes argumentos muito falaciosos, porque cada animal tem o seu temperamento, mas tem também grande capacidade de adaptação. Porque não dar uma oportunidade a quem dela procura? Além disso, os cachorros muito mais facilmente são adotados em detrimento de cães adultos.

Posto isto, há alguns meses atrás passei a ser seguidora de algumas associações de animais. E foi assim que conheci e fui acompanhando as notícias e novidades da AdoroMimos, uma associação que desde o primeiro dia me transmitiu confiança e um grande amor pelos animais.

Fui conhecer a Cereja na passada quinta-feira e nunca mais me saiu da cabeça. No sábado voltei com o P. e nesse dia veio connosco para casa para um período de experimentação.

Desde o primeiro dia que esta cadelinha nos conquistou o coração. Já não me imagino sem ela. É de uma fofura que não se pode.

É uma jovem cadelinha da raça portuguesa podengo. Muito inteligente, enérgica, esperta, brincalhona, dócil e meiga para com toda a gente. Está neste momento a aprender quase tudo, mas é uma aprendiz de mão cheia.


Tem 1 ano e mais qualquer coisa.

Estava para abate quando a Associação AdoroMimos a foi buscar.

Cinco dias de convivência e já nos arrebatou o coração. Nunca pensei que a adaptação fosse tão fácil e que me apaixonasse e derretesse por esta bichinha num estalar de dedos.

É muito bem comportada. Aprende tudo muito rápido. É uma companheira exímia e vê-se o quanto está super feliz. E claro nós também :)

Entrei num mundo novo, no mundo canino. Tenho ainda tudo para aprender e só espero estar à altura de poder ser uma dona de raça :)

Conto com a ajuda de quem tem canitos. Sim, a vossa ajuda. Não há nada como a voz da experiência :) Obrigada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Açores - S. Jorge

E, por fim, seguimos do Pico para S. Jorge.

Apanhámos o barco de S. Roque do Pico para Velas, numa travessia onde ainda avistámos alguns golfinhos ao longe.

S. Jorge é sobretudo conhecida pela ilha das Fajãs. Para quem desconhece o significado do termo fajã, este é geralmente utilizado para designar plataformas costeiras, zonas planas anichadas junto a montes ou colinas com encostas íngremes. 

Uma das fajãs de S. Jorge

A morfologia da ilha de S. Jorge é muito particular. Criada por sucessivas erupções vulcânicas em linha reta, esta ilha apresenta um perfil alongado e bastante estreito, o que a torna única em relação às restantes ilhas do arquipélago. Tem 53 km de comprimento e 8 km de largura, tendo o seu ponto mais alto a 1067 metros de altitude, no Pico da Esperança. É uma ilha escarpada, um gigantesco navio de pedra eternamente mergulhado no mar azul.

Devido ao relevo acentuado da ilha, uma das atividades mais interessantes para se fazer são os trilhos pedestres.  Percorrer a ilha é um itinerário de descoberta. As Fajãs são de uma beleza surpreendente e a tranquilidade dos grandes espaços verdes convidam à descoberta e a uma ligação de estreita e intíma relação com a natureza.

Um dos produtos mais famosos de S. Jorge são os seus queijos. O famoso queijo de S. Jorge.

Mas comecemos por apresentar a vila mais conhecida de S. Jorge, Velas.


De Velas é possível ter-se uma vista desafogada para a ilha do Pico e para a ilha do Faial.


Quando chegámos, vindos do Pico, e porque o final do dia se aproximava, resolvemos pegar no carro e explorarmos a zona da Ponta dos Rosais.

Começámos por conhecer o Farol da Ponta dos Rosais que se situa no extremo noroeste da ilha. Inaugurado em 1964, foi considerado na altura o Farol com as instalações mais modernas em Portugal, com residências para os faroleiros e ainda edifícios de apoio. Foi temporariamente abandonado pouco depois, aquando da crise sísmica dos Rosais e da erupção submarina que ocorreu nas suas proximidades. Passada a crise, permaneceu habitado até ao início de 1980, sendo por essa altura evacuado por motivo de desabamento da falésia, provocado pelo terramoto desse ano. 

Para se chegar ao Farol percorre-se toda uma zona rural com bonitas estradas de terra, ladeadas por flores, muito verde e animais de pasto.






Do alto da antiga vigia da Baleia da Ponta dos Rosais, de onde se tem uma vista privilegiada para o Farol e para as ilhas do Faial, Pico e Graciosa.


Para quem visita a Ponta dos Rosais é obrigatório apreciar o seu Pôr do Sol

Na manhã seguinte decidimos visitar a outra ponta extrema da ilha, onde fica a vila histórica do Topo.

Desta vila conseguimos ver a ilha Terceira. Ao largo encontra-se o famoso ilhéu do Topo, considerado Reserva Natural. Trata-se de uma zona de descanso e nidificação de várias espécies de aves. Além disso alberga também diversas espécies endémicas de fauna e flora.


Pelo caminho fomos parando aqui e ali, apreciando as vistas dos vários miradouros que fomos encontrando. Sobretudo fomos apreciando toda a costa escarpada e as várias fajãs.

Já perto da hora do almoço ainda demos uns mergulhos nas piscinas naturais da Fajã Grande com os seus muitos peixinhos coloridos.



Já no pico da hora do almoço fizemos paragem na Vila da Calheta para almoçar uns filetes de atum no forno. A acompanhar duas Kimas de maracujá. Neste regresso aos Açores foi tempo de matar saudades desta bebida tão refrescante e tão boa. Com muita pena minha, nunca encontrei este refrigerante pelo continente.  Porque será que os açorianos não pensam exportar este suminho tão cheio de fruta? Se porventura conhecerem locais de venda pela zona da Grande Lisboa, não se esqueçam de me dizer ;) 


Hoje em dia é possível visitar quase todas as fajãs de carro. Porém a mais impressionante é a Fajã da Caldeira de Santo Cristo. Chegou outrora a ter mais de 200 habitantes, mas hoje é local sobretudo de romaria - espiritual e não só.

O sismo de 1980 causou desmoronamentos em ambos os acessos da fajã, destruiu a rede telefónica e isolou a Caldeira de Santo Cristo do resto do mundo. Os habitantes tiveram de ser retirados por um helicóptero da Força Aérea Portuguesa. Muitos deles fixaram residência noutros pontos da ilha e outros emigraram.

Hoje apenas 10 pessoas vivem nesta fajã, embora muitas das habitações tenham vindo a ser recuperadas para casas de férias.

Sem acesso a automóveis, o único modo de aqui chegar é a pé ou de moto 4, o meio de transporte que ultimamente substituiu os burros. Só agora, em 2015, se fala em instalar-se rede elétrica na Fajã da Caldeira de Santo Cristo.

Ir à Fajã de Santo Cristo era realmente um desejo muito grande da nossa parte. Conhecer um dos locais mais carismáticos da ilha. Mítico até. 

Uma das reportagens que mais me marcou sobre este lugar encontra-se disponível aqui. Impressionou-me. Aquele lugar só poderia ter uma energia muito especial. Tinha mesmo de lá ir desse por onde desse, por mais que os dias e as horas fossem demasiado curtos e muito ficasse para trás.

Já tinhamos lido que o percurso mais bonito é o que desce desde a Serra do Topo, a uma altitude de 700 metros. São cerca de 5 km através de pastagens e paisagens naturais muito bonitas. Desce-se ainda por um caminho que serpenteia o vale, de onde se avistam cascatas que convidam a um mergulho. No entanto, este seria um trilho mais difícil. Sobretudo na volta.

Se tivessemos mais tempo, teríamos optado por este. Como não era o caso e porque de alguma forma já apresentávamos algum cansaço quando nos pusemos a caminho ao no final da tarde, optámos pelo trilho que parte da Fajã dos Cubres. Como a nossa marcha teve início junto à igreja fizemos cerca de 5 km para cada lado. Mas este percurso poderá ser encurtado se deixarmos o carro mesmo junto ao início do carreiro. Daí serão 4 km.

Este percurso é muito bonito. Fomos sempre acompanhados pelo mar à nossa esquerda, com muita vegetação, flores e passarinhos que saltitam de ramo em ramo. De vez em quando alguns melros juntavam-se a nós e faziam de  pássaros-guia. 

A fajã dos Cubres e lá mais ao longe a Fajã da Caldeira de Santo Cristo

A caminho

A ficar para trás a fajã dos Cubres

 Uma das moto 4 que passou por nós carregada de mantimentos 

 E a Caldeira da Fajã de Santo Cristo cada vez mais perto

 Uma das sinaléticas sobre os períodos de circulação e quem pode circular

 A antiga mercearia

 O bode do sítio

 A espreitar para a Lagoa 

 Fachada da bela Igreja de Santo Cristo, local de culto onde vão devotos de toda a ilha pagar promessas e fazer pedidos de graças.

A festa do padroeiro da ermida é no 1º domingo de setembro. Os peregrinos, praticamente de toda a ilha, deslocam-se aqui pelo caminho da Fajã dos Cubres, como pela vereda da Caldeira de Cima que começa a grande altitude, na Serra do Topo e que, segundo dizem, tem vistas de cortar a respiração.

 No único café da fajã, Café do Borges, pejado de recados de quem passa e faz questão de deixar a sua marca. Um autêntico livro de visitas.

Toda a envolvência paisagística, o cuidado e bom gosto com que as casas foram restauradas fazem-nos acreditar que este é um lugar verdadeiramente especial.

 Junto à lagoa a descansar e a apreciar toda aquela paz e vistas magníficas

 Final de tarde na lagoa de águas salgadas, mornas e tranquilas.

Junto à Lagoa a famosa Igreja de Santo Cristo, datada do séc. XIX. Reza a lenda que terá sido construída após um homem ter encontrado uma imagem do Senhor Santo Cristo num pedaço de madeira a boiar nestas águas. Depois de a pôr na sua sala, a imagem voltaria a aparecer, na manhã seguinte, junto às margens da lagoa.




Tanto a Fajã dos Cubres como a Fajã de Santo Cristo têm uma lagoa, reservas naturais protegidas, Contudo, apenas na de Santo Cristo existe uma espécie de amêijoa, única nos Açores. Continua a ser um mistério como e porquê terão sido introduzidas as amêijoas na lagoa. O que se sabe é que já existem há mais de 100 anos e que aqui encontram o habitat perfeito. Em mais nenhum lugar do arquipélago existe amêijoa.



Na hora do regresso


Nós na volta eles na ida

Simplesmente adorei ter conhecido a Caldeira de Santo Cristo. Que lugar! Que energia existe ali! É realmente espantoso este sítio. Viemos de coração cheio.

No dia a seguir era dia de partida, mas ainda deu para ir à Fajã do Ouvidor, hoje um dos principais locais de veraneio da ilha. 

 Vista para a Fajã do Ouvidor

Junto a esta fajã encontram-se as célebres piscinas naturais da Poça Simão Dias. 


Poça Simão Dias





Já no aeroporto de S. Jorge

E como tudo o que é bom acaba depressa, as férias pelos Açores chegaram ao fim. Foram 9 dias muito preenchidos, muito intensos. 

Não me canso de repetir que este arquipélago é qualquer coisa de extraordinário. Adoro os Açores e espero voltar muito em breve. 


Despeço-me com um vídeo com muitos dos trilhos e lugares por onde passei. Só de ver fico arrepiada perante tamanha grandiosidade e beleza naturais. 


As ilhas dos Açores são lindasssssssssssss e verdadeiramente encantadoras. Não dá mesmo vontade de regressar e voltar para casa!

Informação Adicional (a quem possa interessar):

Carro: Alugámos pela Ribeiro e Sá Lda, com loja mesmo em frente à residencial em que ficámos. Mais uma vez o critério foi ter apresentado o orçamento mais barato dentro da gama mais económica de carros. 

Alojamento: Ficámos hospedados no centro de Velas na Residencial Neto, bem pertinho do Porto de Velas. Acomodações simples, mas muito asseadas. Foi sair do barco, subir a rua e já cá estavamos. Ao pequeno almoço havia sempre queijo de S. Jorge. Soube a posteriori que esta Residencial também oferece serviço de rent-a-car. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Açores - Pico

Das Flores seguimos no voo da Sata para a Horta (ilha do Faial) e na Horta apanhámos o barco da Transmaçor para a segunda maior ilha dos Açores, o Pico.

Devido ao contratempo que nos aconteceu nas Flores, perdemos a bem dizer 1 dia da nossa estadia no Pico. Ficámos praticamente com 2 dias inteiros, que tentámos aproveitar da melhor forma que conseguimos.

O nome da ilha do Pico tem origem na sua imponente montanha vulcânica, a montanha do Pico, que culmina num pico pronunciado, o Piquinho, com 70 metros de altura. O Piquinho ou Pequeno Pico é uma erupção geológica que se desenvolveu depois e que se localiza no interior da cratera da montanha. Mais alta que a Montanha da Serra da Estrela, esta é uma montanha que nasce do mar e eleva-se acima das nuvens nos seus 2351 metros de altitude. É verdadeiramente imponente e gigante.


Desde o início da preparação deste regresso aos Açores que fazia parte dos nossos planos subir a montanha do Pico. Já tinhamos a recomendação de um guia, porque a nossa intenção era subir durante a noite para ver o nascer do sol, que dizem ser qualquer coisa de extraordinariamente belo. Se o céu estiver limpo e as nuvens dispersas há mesmo quem afirme que do cimo do Piquinho se assiste ao melhor nascer do sol do mundo. Uma experiência verdadeiramente inesquecível. Do topo avistam-se todas as ilhas do grupo central: Faial, S. Jorge, Graciosa e Terceira.

A subida faz-se a partir da Casa da Montanha, onde acaba a estrada, e onde todos os caminheiros se registam para uma subida de sensivelmente 4,8 km por trilhos e caminhos devidamente assinalados. Em condições normais, o tempo médio do persurso de ida e vola é de sensivelmente 7 horas.  Devido à elevada altitude e às diferenças climatéricas (temperatura e humidade) que se fazem sentir ao longo da subida é necessário levar agasalhos, de preferência impermeáveis e calçado bem aderente e confortável.




Os pequenos portões abertos pela estrada fora

Casa da Montanha


No interior da Casa da Montanha 

Nós íamos preparados com isso tudo, mas o tempo trocou-nos as voltas. Em nenhuma das noites que por lá estivemos o tempo esteve favorável para a subida. Muita nublosidade, vento, chuva num dos dias. Tivemos pena realmente, mas não fazia sentido subir com condições adversas. Não só seria totalmente irresponsável e inseguro, difícil e penoso o caminho, como não iríamos ver nada lá do alto.

Aprendemos que subir ao Pico não se faz quando se quer, mas quando o Pico deixa. E desta vez o Pico não deixou.








Esta foi a segunda fez que estive na ilha. E em nenhuma das duas foi possível subir a montanha. Na primeira estive doente e nesta o tempo não permitiu a subida. Espero que à terceira seja de vez. Sim, porque eu não desisto. É um sonho que tenho há muito tempo. Caramba, eu não hei-de morrer sem um dia subir ao Pico.

Durante a nossa estadia a montanha do Pico esteve a maior parte do tempo escondida. Quando de repente as nuvens se avastavam e a montanha aparecia era quase o equivalente a uma aparição.


A Montanha do Pico totalmente encoberta 

 Quando as nuvens se afastam

O Pequeno Pico ou o Piquinho bem lá no alto

Mas à parte da montanha, visitar o Pico é penetrar num pequeno mundo construído durante séculos por baleeiros, agricultores e pescadores. Homens de força e luta. Lutas épicas entre as frágeis embarcações baleeiras e os poderosos cachalotes. Lutas de um esforço de titãs entre o homem e a pedra, em que o homem conseguiu transformar uma terra inóspita, cravada de escura lava em casas, vinhas e campos de cultivo.

Assim que chegámos e nos instalámos na nossa casinha de pedra, pegámos no carro e fomos dar uma volta pela zona do planalto da montanha. A paisagem aqui mantém-se praticamente intocada. Vêem-se muitas vaquinhas e cavalos. Encontram-se várias lagoas. O céu mais fechado e cinzento cria uma atmosfera simultaneamente bela e sinistra. O silêncio é aqui e ali entrecortado pelo múrmurio do vento.











Nesta nossa ida ao Pico aproveitámos para conhecer melhor a cultura do vinho, Património Mundial da Unesco desde 2004. Conhecendo um pouco melhor a história e a tradição é fascinante perceber como o homem conseguiu vencer a maldição da terra numa ilha nascida da lava. Os vinhedos do Pico são um monumento ao engenho e à imaginação do homem, que criou alimento a partir do nada. Como os picarotos o dizem com orgulho, ali o homem transformou a pedra em vinho.

Pelos caminhos de lava (Ponta Negra)

Para onde quer que se olhe só se vêem pedras negras empilhadas à mão, num labirinto de muros. Com apenas 3,4 % de solo arável em toda a ilha "foi preciso partir lava, quebrar rochas, furar o solo pedregoso, fazer caminhos e construir uma teia interminável de abrigos para proteger as videiras". As videiras de cujas uvas se faz o célebre vinho do Pico, um licoroso branco seco, à base da casta Verdelho e que chegou a ser servido à mesa dos czars russos.



Vale a pena visitar o museu do vinho que de forma muito sucinta e nada aborrecida nos conta a tradição da cultura da vinha. No espaço deste museu existe um miradouro muito bonito, com uma vista maravilhosa para os currais de vinhas (pequenas parcelas retangulares de terra, cercadas por muros)  e ainda alguns dragoeiros, árvore nativa dos arquipélagos das Canárias, Madeira, Açores e Cabo Verde. 



 As uvas da Casta Verdelho



Como o museu não fazia provas de vinhos fomos fazê-las junto ao mar, no Cella Bar, com uma vista muito bonita para o Faial.

 Vinho licoroso e branco do Pico a acompanhar uns belos queijinhos


Na localidade da Madalena com vista para o Faial e para os dois ilhéus

Para quem deseja conhecer melhor a tradição do vinho, um dos locais de visita obrigatória é o Lagido de Santa Luzia. Aqui existe um centro de interpretação, um armazém de pipas tradicional e um alambique ainda em funcionamento e onde é feita a conhecida aguardente de figo. Esta localidade ribeirinha é muito pitoresca e bonita com as suas casas em pedra negra com portas e janelas coloridas a vermelho.








Como o tempo era escasso  não tivemos como fazer muitos dos trilhos pedestres que a ilha oferece. No entanto, não quisemos deixar de fazer uma parte do percurso pedestre do trilho da Criação Velha, que a BootsnaLL, editora de guias de viagem independentes, considerou como "um dos oito trilhos únicos do mundo". 






 Os famosos “rilheiros”, rastos na lava das carroças que faziam o transporte do vinho


Além da Montanha e do Vinho, a ilha do Pico tem diversos locais que mantêm viva a tradição da faina baleeira da ilha. É o caso das Lajes do Pico, localidade onde se concentra o maior património baleeiro dos Açores.







Uma das experiências que mais gostámos foi a de descobrir a Furna de Frei Matias, um túnel de lava com cerca de 650 metros de comprimento, com várias entradas e bifurcações. Não havendo sinalética, nem ninguém a quem perguntar, andámos meio perdidos para achar a localização exata desta Furna, de acesso livre e ainda totalmente conservada e mantida no seu estado original. Local mítico, envolto em mistério, já que reza a lenda que um eremita lá se terá refugiado e vivido em absoluta solidão.Guiou-nos a intuição e alguma persistência já que a entrada da furna se encontra muito bem camuflada no meio de tanta vegetação. Na altura em que lá estivemos não havia mais ninguém, o que tornou a nossa experiência numa pequena aventura. 













Muito ficou por ver e fazer no Pico. Mas como um dia destes tenho de voltar para subir a montanha, terei sempre muita coisa à minha espera por conhecer e descobrir :)

Informação Adicional (a quem possa interessar):

Localização: a situação geográfica do Pico permite visitar facilmente as ilhas vizinhas do Faial e S. Jorge numa travessia de pouco tempo. De barco a partir da localidade da Madalena para a Horta (Faial) fica a 35 minutos de viagem. Para Velas (S. Jorge),  a viagem faz-se em cerca de 40 minutos (a partir da localidade de S. Roque do Pico) ou de 1h25 (a partir da Madalena). A viagem pode ser feita pela Transmaçor ou Atlanticoline.

Carro: Também aqui optámos pelo aluguer de um carro da gama mais económica, com kms ilimitados e fizemo-lo pela Rent-a-Car Auto-Ramalhense Lda.

Alojamento: Pela primeira vez reservei estadia pelo AirBnB, site fundado em 2008 que permite aos utilizadores alugar toda ou parte da sua casa, fornecendo uma plataforma de busca e reserva entre a pessoa que oferece a estadia e o turista que procura onde ficar. Este site tem mais de 500 mil anúncios em mais de 35 mil cidades de 192 países. Em vez de procuramos uma residencial ou hotel onde ficar, procuramos um apartamento, uma casa, um quarto particulares a preços muito mais simpáticos. Nós ficamos numa casa de pedra tradicional muito bonita, a Casa Albatroz. A nossa anfitriã  foi de uma simpatia e de uma disponibilidade enorme para connosco. Gostámos muito.